Reais desejos de Natal ou as maiores Resoluções de Ano Novo

Todo mundo já fez lista do que fazer no próximo ano, já se pegou desejando coisas tão grandes (amor, emprego, acertar na mega sena, juntar dinheiro) e colocando no papel item por item do que espera quando o calendário vira. Perco as contas de quantas décadas gastei querendo uma balança mais leve, conta no banco mais polpuda e desejos quase impossíveis de acontecer pelo acaso.

Um dia, em um momento rotineiro da vida, quando deixei quase que duas toneladas de roupas de uma loja bacana cair da arara da loja – sob o olhar de risada da vendedora que entendia a minha aflição, agonia e desespero pelo meu eterno desajeito – me peguei desejando que pelo menos uma vez na vida eu entrasse em uma loja e não deixasse peças de roupas pularem dos cabides. Era algo tão simples, tão pequeno, mas que faria uma diferença enorme no meu dia a dia. E pedi com tanta vontade, como a que pedi insistentemente pela minha primeira bicicleta. E se ali fosse atendida, pularia três vezes mais do que quando acordei criança, com os olhos meio inchados e vi um pacote imenso bem à beira da minha cama. Por um minuto achei que era sonho. Mas não: era aquela Ceci vermelha que me acompanhou por anos nas ladeiras de Ouro Branco.

E por um segundo percebi que a gente complica demais os desejos, quer demais algo além da Lua e esquece que o que importa é tão perto do peito, tão singelo e pequeno. E comecei a reparar que a gente tem mania de traçar metas altas e concretas apenas pelo simples prazer de riscar algo no caderninho. E resolvi fazer uma nova lista.

Eis a minha (pequena-grande) lista:

  1. Ir a uma loja e deixar nenhuma peça de roupa cair das araras
  2. Quebrar nenhum copo esse ano – aliás, quebrar quase nada (por favor!)
  3. Sair de casa sem esquecer alguma coisa.
  4. Sair de casa a primeira vez que fecho e tranco a porta ou que pelo menos vou até ela.
  5. Acordar pelo menos 5 minutos mais cedo
  6. Ser mais pontual
  7. Ter disposição para arrumar a cama pelo menos 3 vezes por semana
  8. Manter o quarto em um estado de caos menor
  9. Acordar cedo para malhar, pedalar ou simplesmente aproveitar a manhã
  10. Tomar o café da manhã com menos pressa
  11. Ouvir o Simão e o Boechat todos os dias de manhã
  12. Dormir antes das 23h
  13. 5 minutos de meditação. 5 minutos de silêncio. E oração antes de dormir. Diariamente
  14. Escovar os dentes TODOS os dias antes de dormir
  15. Tirar a maquiagem antes de dormir
  16. Andar menos de carro. E muito mais de bike
  17. Ler pelo menos um livro por mês
  18. Ouvir uma banda nova toda semana. Ou pelo menos uma música
  19. Assistir dois filmes por semana – sendo um no cinema
  20. Visitar menos os shoppings e mais feiras livres
  21. Ver mais exposições. Uma por mês
  22. Ir ao teatro. Uma vez por mês
  23. Sair sozinha uma vez por mês
  24. Comprar menos
  25. Não acumular jornais na minha mesa
  26. Não acumular papéis e recibos de compra no cartão.
  27. Deixar a escrivaninha liberada
  28. Experimentar comidas e temperos novos. Uma vez por mês
  29. Comer mais orgânicos e coisas saudáveis
  30. Comer mais saladas e menos macarrão
  31. Comer mais coisas coloridas. E menos chocolate
  32. Trocar uma cerveja por água (pode ser com gás?)
  33. Me apaixonar só à segunda vista. E depois do segundo encontro
  34. Ter coragem de sair do País em uma viagem sozinha
  35. Viajar uma vez por mês.
  36. Viajar sozinha. Duas vezes por ano
  37. Fazer menos listas. Viver mais!
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Reais desejos de Natal ou as maiores Resoluções de Ano Novo

Aqui já é Natal

O Natal já chegou. E ele não tem lista de presentes, filas intermináveis de shoppings e muito menos regras ou saldo máximo e restrito no cartão de crédito. Aqui chegou a época de agradecer, de encher a árvores de abraços, lembranças e dividir a mesa com quem a gente amou um ano inteiro.

Pra mim, o Natal chegou em outubro, com uma avalanche de amor, gentileza e gratidão. Porque Natal não é distribuir pacotes brilhantes só pra dizer às pessoas que você lembrou delas ali no fim de ano. Não. É preciso estar do lado o ano inteiro. Perguntar se está bem, dar bom dia, desejar uma semana de luz, mandar mensagem quando vê algo que a lembre. É ler um texto e encaminhar pelo zap. É dizer ao “vô” que ama e que está devendo uma visita. É acompanhar via Skype ou zap a gravidez da sua amiga e chorar porque não está ali do lado dela pra ver a barriga crescendo.

Natal não é esvaziar os armários, doar cesta básica ou ajudar a caixinha dos funcionários e depois usar as hashtags #gratidao #ajudaroproximo. É dar bom dia quando esbarra no corredor, é ter empatia pela dor do próximo, é enxergar as pessoas “invisíveis” na cidade, é orar por quem está em perigo ou nos hospitais, é passar o ano inteiro se importando com o outro. É dizer que se importa o ano todo. É doar sangue pro pai da amiga em pleno frio de agosto. É espalhar um pouco de amor, que seja doando um cobertorzinho velho pro abrigo de cães da cidade. É levar meio quilo de ração pra vizinha que abriga 25 gatos. É dar aquele copo d’água gelado pro povo da limpeza em pleno sol a pino. É oferecer a vaga da garagem para eles poderem descansar depois de devorar a marmita fria. É dar um abraço na amiga que está precisando (mesmo que você entenda que ela está é brincando com a sua cara).

Natal não é a noite de 24 dezembro, nem a manhã do dia 25 e nem a festa de família. É estar com a sua mãe em pleno domingão a tarde dividindo aquele pote imenso de sorvete só porque deu vontade. É cair na gargalhada com seu pai da troca de data e chegar ao aniversário um dia antes da festa. É rever o episódio que você mais gosta do seriado depois de fazer alguém se viciar nele e dividir essa loucura como se fosse coisa de gente normal. É repetir o filme que você gostou só pelo gosto de ter companhia para dividir essa experiência. É estender seu ombro para a amiga e abrir mão da saída só pra conversar em casa. É o raro almoço em família. É comemorar mais que aniversários: é celebrar cada conquista, cada passo dado um ano inteiro.

Natal é época de juntar aquele povo todo, uma família gigante, que mal se encontra o ano inteiro só pela vontade do abraço. É tempo de agradecer por virar mais um calendário com tudo em dia. Agradecer pela mesa farta, pelas crianças novas, pelos casos engraçados das tias e mais ainda de sobreviver a cada viagem de 800km até chegar em casa. É a hora de agradecer porque a balança da lágrimas é infinitamente menor que a dos sorrisos.

Ou seja, Natal é todo dia. É trazer para si a maior lição que Deus, Jesus, os anjos, o universo ou a natureza podem nos deixar: de que a bondade só existe onde a gente cultiva o amor.

E é isso que me propus na vida: a ter doses diárias de amor, caridade e a humildade de saber nossas limitações. Não é preciso ser um herói para espalhar coisas boas. Não preciso levar uma centena de presentes, de lembranças, de cartões e tanta coisa que preza a etiqueta para que as pessoas saibam que eu me importo. Até porque presentes são coisas raras que eu dou. Eu prefiro mandar palavras, amor, abraços e beijos.

E tem gente que entende menos ainda porque gosto tanto de abraçar. É um presente. E se eu der um conselho, uma palavra amiga e ainda um sorriso, saiba que carrega um pouco da minha amizade. E são as maiores riquezas que tenho. Os bens mais caros que possuo. E doo sem dó, pena ou apego. Cada gota de amor que eu lanço, é um dia mais colorido no universo.

E se você acha que tudo aí em cima que citei fui eu que fiz, se enganou. Boa parte é exemplo de gente que nem percebeu que o Natal está ali, o ano todo, em seus corações.

Aqui já é Natal