Avoe-se, menina!

Faltam 7 dias. Falta uma semana!

Avoando pelas estradas do Tocantins, em direção ao Jalapão - sonho de uma vida!
Avoando pelas estradas do Tocantins, em direção ao Jalapão – sonho de uma vida!

Mineiro já nasce com Liberdade na alma.

Deve ser por vontade de vencer as serras e a eterna curiosidade de ver além daqueles vales.

Tem gente que nasce com terra vermelha no pé já dentro da estrada de terra. Por isso que mineiro tem na parede foto da estrada do interior, já tem na memória afetiva o som do carro de boi e das motos de trilha.

Trem é a maior expressão do coração de quem viaja: um bicho imenso de ferro cortando caminho, acelerando na hora de fazer a curva e cuspindo fumaça em cada parada. E o pulso de quem parte.  — Piuííííííííí !!!! – grita a alma a cada agenda vaga. Até suo frio quando tenho que decidir pra onde ir.

O negócio é não ficar parado.

Um dia, sem eu saber quando, criei asas. Simplesmente voei.

Deixei de ser gente árvore e passei a ser pássaro. Passarinho mesmo.

Das memórias afetivas da vida lembro de um acampamento da família: aquelas barracas gigantes dos anos 80, de aço. Do fogareiro vermelho, das cadeiras de praia, da minha irmã torrada de sol, de comer misto com suco. De poder correr entre as outras várias barracas. Outro lugar que não me esqueço é de uma viagem à Castelhanos com uma turma imensa. Era um bando de crianças na piscina, era aquela água gelada no corpo. Picolé no meio do dia.

Eu tento recuperar memórias, passagens, bilhetes ou qualquer coisa que me acene onde foi que comecei a amar viajar. E acho que foi em algum momento entre as inúmeras vezes que fizemos o trecho Belo Horizonte – Ouro Branco. Em alguma curva da BR-040.

Um dia aquela vontade de passar pela Serra, de pular o velho portão marrom de madeira gritou: – parte, menina! Vá viver!

Avoe-se! Avoe-se!

Eu ouvi isso da boca de Ariano Suassuna. E nunca me esqueci.

Criei coragem e “avoei”!

E me prometi nunca mais ficar estática. Parada. Criar raízes em um lugar só.

Viajar é lavar a alma. É ver gente nova. É conhecer lugares que parecem existir só além da tela. É ter vontade de comer que nem um nativo. É ver sorriso de gente distante. É viver fora de casa.

A cada roteiro, a mala vai mais leve. E alma ganha mais leveza.

E nada se compara a sensação de partir.

Viajar é uma estrada longa, dessas que só se vê no Tocantins (eu vi): uma lonjura que a vista quase alcança, terra laranja, sol quente na cabeça e lá no fim tem uma chapada. Uma promessa de coisas novas. Você caminha, dá dois passos e só quer chegar.

Lá no fim nem acredita que venceu tanta coisa. Tanto medo, tantos relatórios, tantas horas extras, tantas aporrinhações! Tantos desamores, tantos dissabores.

O importante é partir.

Tem gente que pergunta se não tenho lugar. Se é por isso que viajo tanto. Eu digo na lata: – meu lugar é o mundo! Minha bússola pulsa aqui dentro. Meu Norte é qualquer abaixo das nuvens.

Porque eu vou até onde os sonhos me carregam. Eu ando até onde minhas pernas dão conta.

Sob sol ou chuva.

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Avoe-se, menina!

4 comentários sobre “Avoe-se, menina!

  1. Marly Souza disse:

    Fiquei encantada com teu texto. Tanta sensibilidade, tanta emoção.mdeu até vontade de chorar. Expressou com muita delicadeza o desejo de muitos de avoar. Lindo, lindo. Eu quero avoar. Tomara que consiga está energia, esta alegria e esta paz que você transparece. Obrigada pelo texto.

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