Saldo de aniversário

É hoje!

 

35 anos. Solteira.

Sem filhos.

Mais de 5 sobrinhos (entre primos e amigas)

Sem ex-maridos. Poucos ex-namorados (o suficiente!). Nenhum pedido de casamento.

Um coração partido (duas vezes, pela mesma flecha).

Nenhum fio branco. Mas já vejo um bigode chinês e pés de galinhas.

Quase 57 quilos.

Patrimônio: um celular, uma bicicleta e um carro financiado. Alguns reais no cartão de crédito.

Não tenho casa própria. Pulo entre a quit do pai, a casa da mãe e o apê da irmã. E hostels e quartos de pousada. Mas tenho teto e um quarto sem TV, mas com um toca CD, DVD portátil e uma conta no Netflix.

Nenhum belisco nesse momento. Sem sinal de namorado.

Uma família nova em Brasília. Uma linda em Minas.

Amigos? Muitos. E eles equilibram qualquer balança. Completam a minha vida.

Eles me enchem de amor.

Que nem pai, mãe, irmã e a Arca de Noé que virou minha família.

Divido a sala do trabalho com quatro homens: um mais divertido e especial que o outro.

Saldo do dia: Insônia, uma festa surpresa linda, muito amor, muito abraço e muitas alegrias.

Chegaram os 35. Tudo parece igual. As coisas parecem diferentes. São 365 dias que giraram. E agora começam os outros.

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Saldo de aniversário

Das músicas que me definem

É amanhã!

 

De volta às listas

Por que enfileirar as coisas é bom. E é bem mais prático ler os outros por itens que por palavras e prosa.

Alguns trechos vêm mais fáceis, outros tive que sair catando mesmo entre as letras que tenho paixão. Alguns são de pessoas que me descrevem dessa forma.

Respiro fundo e sigo essa lista.

Itens em constante atualização. Então, de vez em quando volte para ouvir alguma música (prometo que coloco em todos os links) e descobrir as novas que vão chegando!

1

Eu tô ficando velha

Eu tô ficando louca

(Velha e Louca – Mallu Magalhães)

Essa é óbvia e aposto que (quase) todo mundo pensou que estaria aqui. Por isso ela abre a lista: por pura obviedade!

2

O que tenho de torta

Eu tenho de feliz

(Velha e Louca – Mallu Magalhães)

Como sou teimosa, prefiro esses versinhos aí!

3

Não se assuste pessoa

Se eu lhe disser que a vida é boa (…)

Eu sou

eu sou

eu sou o amor da cabeça aos pés

(Dê um Rolê –  Novos Baianos: Moraes Moreira e Luiz Galvão)

Essa me define Poliana e meu eterno jogo do contente: pra que o mundo – e os dias – seja melhor eu escolhi ser o amor da cabeça aos pés!

4

Hey, Jude don’t make it bad,

Take a sad song and make it better

Remember to let her into your heart

Then you can start to make it better

(Hey Jude – The Beatles: Paul McCartney)

Todo mundo já passou por turbulências e dias cinza. E foi nesses dias que aprendi que ser feliz é questão de detalhe, de coisas pequenas, de cultivar a alegria no dia a dia. Aprendi a transformar as tristezas em música alegre. E essa acabou se tornando uma das preferidas dos Beatles.

 5

Oh daddy dear

you know you’re still number one

But girls they wanna have fun!

(Girls Just Wanna have fun – Cindy Lauper)

Não dá pra deixar de citar a Cindy Lauper! E não dá pra negar que eu amava esse clipe, queria me vestir que nem ela quando criança. E que continuo querendo me divertir!

 

6

Há um menino

Há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança

Ele vem pra me dar a mão

(Bola de Meia, Bola de Gude – Milton Nascimento e Fernando Brant)

Essa referência ganhei de uma amiga querida. A gente se amassou, se revirou só pra ver um show do Milton. Em pleno Dia dos Namorados. Adoro assumir esse lado criança, que não cresce, que faz festa em tudo que se vê ou vive. E bem no meio da música tem uma estrofe que me define mais ainda: E me fala de coisas bonitas / Que eu acredito / Que não deixarão de existir / Amizade, palavra, respeito / Caráter, bondade alegria e amor / Pois não posso / Não devo / Não quero / Viver como toda essa gente / Insiste em viver

7

Eu ando pelo mundo

Prestando atenção em cores

Que eu não sei o nome

Cores de Almodóvar

Cores de Frida Kahlo

Cores!

(Esquadros – Adriana Calcanhoto)

Porque eu sou colorida, já fui chamada de “Colores de Almodóvar”, vejo tudo além do que normalmente se vê. E vejo cores em tudo: dias cinzas, dias de sol, céu azul de Brasília, luz de outono, etc e tal. Acredito que a vida é e deve ser colorida. (Olha eu sendo Poliana de novo!)

8

I got the eye of the tiger

A fighter

Dancing through the fire

‘Cause I am a champion and you’re gonna hear me roar

Louder

Louder than a lion

(Roar – Kate Perry)

Sim, meu lado B gosta de Kate Perry e adoro esse refrão. Aprendi a ir além da minha braveza de leão: a ter olhos de tigre, lutar pelo que quero, correr atrás dos meus sonhos e vi que somente eu posso fazer realizar o que desejo. Há quem acredite que ainda continuo sonsa, que não gosto de lutar pelas coisas: tenho apenas a cara de boba, viu?

9

In many ways, they’ll miss the good old days

Someday, someday

Yeah, it hurts to say, but I want you to stay

Sometimes, sometimes

 When we was young, oh man, did we have fun

Always, always

(Strokes – Sometimes)

Essa é e sempre será a minha favorita do Strokes. Não apenas pela batida, mas pela mensagem logo de cara. Essa dedico aos amigos e meu pais: “Dói, mas queria que vocês ficassem pra sempre. Quando éramos mais jovens, nos divertimos muito e sempre!”. Das efemeridades da vida, da roda-viva que é o cotidiano e das saudades de um tempo que não volta. Queria que tudo pudesse ficar, principalmente as pessoas que passaram e que estão na minha vida.

10

Qualquer amor já é

um pouquinho de saúde

um montão de claridade

contribuição

pra cura dos problemas da cidade

(…)

qualquer amor já é

um pouquinho de saúde

um descanso na loucura

(Lenine – Amor é pra quem ama)

Amo Lenine, toda a sua poesia, métrica e fonética. Há tantas músicas que eu gosto, há tantos versos que poderiam ser meus. Mas esse não poderia ficar de fora. Por que o amor é que dá leveza à vida, é o que cura essa falta de compaixão e tanta coisa errada.

11

Já que não me entendes
Não me julgues

(…)

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha, 

Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
(1 º de Julho – Cássia Eller. Letra de Renato Russo )

Essa bem podia chamar 21 de outubro!
Os primeiros versos são autoexplicativos: quem não me entende, que não me julgue, porque nem eu mesma me compreendo ou consigo controlar muita das minhas emoções. Me conheço bem, mas não a ponto de saber de cor quem sou eu. Eu mudo a todo minuto e por isso tanta confusão e tanta loucura.

De resto, lembra a minha e o tanto que na vida aprendi mesmo não sendo mãe (ainda!).  Eu sou formada de tantas coisas, da minha mãe, das mulheres da minha família, das minhas ideias, da minha irmã. Sou menina, mulher e tantas coisas mais. E ao mesmo tempo sou eu quem conduzo o barco. Sozinha. Sou filha, irmã, tia emprestada, amiga, colega. E ao mesmo tempo tem coisas que não sou. Mesmo querendo. E há as que não queria, que tenho que enfrentar.

Das músicas que me definem

Das Gentilezas

Faltam 2 dias

Quando gentileza gera gentileza e alegria

Gentileza é palavra praticada todos os dias. Com mais rigor e disciplina que os exercícios. É ação que volta – nem sempre na mesma medida e rapidez. Gentileza é sorrir pela manhã por mais um dia de vida e descontar essa alegria no bom dia para a primeira pessoa que cruzar meu caminho. Aprendi que com um sorriso a vida é mais fácil, as pessoas se desarmam mais e que cara feia dá mais medo que o Boi da Cara Preta.

Gentileza está desde o bom dia dado com sinceridade até a doação de afeto. E doação sem volta. É corrente do bem. É dar os braços quando você está se afundando. É ajudar a levantar de um tombo, com um sorriso no rosto. É esperar a amiga que vem pedalando no ponto de apoio. É mão-amiga no meio morro quando suas pernas não giram mais. É aquele grito de “-Vamos! Você dá conta! Vai Graci, pedala que falta pouco!”.

E aqui estou eu de novo falando da viagem. Se você soubesse, tivesse a dimensão das mudanças que passaram por mim nas areias do Jalapão, poderia até dizer que meu sorriso mudou. Se tem gente que tira um ano sabático, acho que tirei um feriado inteiro!

E lá eu vi o que é gentileza e alegria. Achei gente que grita pela manhã pra te despertar, já que uma simples sineta não seria tão bem humorada. Gente que troca o apito por um toque na porta: “Acorda, Graci, eu sei que você está aí!”. Gestos e palavras de estímulo quando você está cansada. Aquele que leva um copo d’água pra quem não dá conta de levantar da sombra. Quem doa a lanterna da bicicleta pra quem nem imaginava pedalar à noite. Quem se atrasava só pra acompanhar nosso ritmo – de pernas menores, bicicletas menores e força menor ainda!

Eu tenho visto o lado bom da vida e nem adianta me chamar de Poliana porque acredito na bondade e na alegria. E por mais que isso pareça ofensivo, meu camarada, eu levo como elogio! E se gentileza gera gentileza, boas energias atraem boas energias e bondade só traz bondade. E tenho visto essa roda girar muito fácil entre os meus.

Eu vi um mar de gente se matar debaixo de 45° e nunca perder o bom humor, a alegria, a vontade de caminhar mais e – mais que tudo – ter forças para incentivar cada um a fechar todo aquele areal. Um mundo de mulher que ri, grita, fala mais alto ainda, tira foto, tira selfie, mas que não deixa de estender a mão quando é preciso. Ah, e os camaradas também!

Desde que me entendo por gente, vejo gente sempre disposta a ajudar. A colocar as pessoas pra cima. E se você ainda se amarra na onda de jogar uma crítica, que tal pensar sempre num elogio? Claro que na vida há momentos que é permitido ter mau humor, chorar,  gritar de raiva  e até mesmo revidar um insulto. Mas eles não podem nortear o cotidiano. Isso eu não permito!

Eu prefiro acreditar que há beleza em tudo, há um sentido muito maior que qualquer amargura. E basta praticar. Comece a olhar nos olhos de quem passa por você todos os dias. Agradeça sempre. Dê bom dia a todo mundo que cruzar seu caminho. Abra portas para quem está de mãos ocupadas. Dê lugar aos idosos, deficientes e às gestantes: por mais que eles lhe pareçam atletas! Deixe o moço passar na sua frente no supermercado quando ele está com apenas dois itens e você com um carrinho com as compras do mês! Dê lugar às mulheres quando elas estão subindo às escadas. Dê preferência sempre aos carros que estão subindo à rua: é melhor dar ré e a preferência para três deles que tentar passar sozinho onde nem te cabe. Agradeça pelo café servido na Copa por mais que esse seja o trabalho de quem está ali para servi-lo. E preste atenção como as pessoas vão lhe parecer mais amáveis e bem educadas. Isso repele qualquer ranzinza de plantão.

Faça piada das coisas absurdas que te acontecem. Ria de cada tombo que você sofre em público: isso vai te deixar muito mais forte pra levantar. E veja como a  vida fica mais leve.

Desculpa se prefiro ser assim, leve, alegre e bem humorada do que ceder às reclamações e o impulso de criticar apontando defeitos. Desculpa se pareço que só vejo as coisas boas. Na verdade, eu consigo enxergar as falhas de caráter, os erros, o mal feito e as coisas feitas com má vontade. É que prefiro apostar no lado bom que deixar o lado ruim da força vencer.

Eu sou assim, desculpa aí!

Das Gentilezas

Avoe-se, menina!

Faltam 7 dias. Falta uma semana!

Avoando pelas estradas do Tocantins, em direção ao Jalapão - sonho de uma vida!
Avoando pelas estradas do Tocantins, em direção ao Jalapão – sonho de uma vida!

Mineiro já nasce com Liberdade na alma.

Deve ser por vontade de vencer as serras e a eterna curiosidade de ver além daqueles vales.

Tem gente que nasce com terra vermelha no pé já dentro da estrada de terra. Por isso que mineiro tem na parede foto da estrada do interior, já tem na memória afetiva o som do carro de boi e das motos de trilha.

Trem é a maior expressão do coração de quem viaja: um bicho imenso de ferro cortando caminho, acelerando na hora de fazer a curva e cuspindo fumaça em cada parada. E o pulso de quem parte.  — Piuííííííííí !!!! – grita a alma a cada agenda vaga. Até suo frio quando tenho que decidir pra onde ir.

O negócio é não ficar parado.

Um dia, sem eu saber quando, criei asas. Simplesmente voei.

Deixei de ser gente árvore e passei a ser pássaro. Passarinho mesmo.

Das memórias afetivas da vida lembro de um acampamento da família: aquelas barracas gigantes dos anos 80, de aço. Do fogareiro vermelho, das cadeiras de praia, da minha irmã torrada de sol, de comer misto com suco. De poder correr entre as outras várias barracas. Outro lugar que não me esqueço é de uma viagem à Castelhanos com uma turma imensa. Era um bando de crianças na piscina, era aquela água gelada no corpo. Picolé no meio do dia.

Eu tento recuperar memórias, passagens, bilhetes ou qualquer coisa que me acene onde foi que comecei a amar viajar. E acho que foi em algum momento entre as inúmeras vezes que fizemos o trecho Belo Horizonte – Ouro Branco. Em alguma curva da BR-040.

Um dia aquela vontade de passar pela Serra, de pular o velho portão marrom de madeira gritou: – parte, menina! Vá viver!

Avoe-se! Avoe-se!

Eu ouvi isso da boca de Ariano Suassuna. E nunca me esqueci.

Criei coragem e “avoei”!

E me prometi nunca mais ficar estática. Parada. Criar raízes em um lugar só.

Viajar é lavar a alma. É ver gente nova. É conhecer lugares que parecem existir só além da tela. É ter vontade de comer que nem um nativo. É ver sorriso de gente distante. É viver fora de casa.

A cada roteiro, a mala vai mais leve. E alma ganha mais leveza.

E nada se compara a sensação de partir.

Viajar é uma estrada longa, dessas que só se vê no Tocantins (eu vi): uma lonjura que a vista quase alcança, terra laranja, sol quente na cabeça e lá no fim tem uma chapada. Uma promessa de coisas novas. Você caminha, dá dois passos e só quer chegar.

Lá no fim nem acredita que venceu tanta coisa. Tanto medo, tantos relatórios, tantas horas extras, tantas aporrinhações! Tantos desamores, tantos dissabores.

O importante é partir.

Tem gente que pergunta se não tenho lugar. Se é por isso que viajo tanto. Eu digo na lata: – meu lugar é o mundo! Minha bússola pulsa aqui dentro. Meu Norte é qualquer abaixo das nuvens.

Porque eu vou até onde os sonhos me carregam. Eu ando até onde minhas pernas dão conta.

Sob sol ou chuva.

Avoe-se, menina!

Só sei que adoro partir…

(Do dia 04/10 – quando fechei as malas )

Faltam 17 dias 

Fechando as malas. É hora de partir. Mais um destino. Pé na estrada. É hora de encarar o desafio e fechar o calendário de mais de quatro meses de preparo. Não tem volta, só uma pausa para respirar fundo.

Essa jornada começou há exatos 5 meses e hoje ela ganha vida. Eu tenho calafrios, minhas mãos suam e o coração dá taquicardia. Beat acelerado!

Sempre sinto um frio na barriga quando parto em uma viagem. É como me meter em uma caverna escura, com um fio de vida ali na frente.

Eu atravesso o ritual eterno de arrumar a bagagem como quem prepara a última refeição. Demoro como quem pudesse protelar o inevitável. Como se pudesse atrasar a partida por simples medo do desconhecido.

E quando chega a hora do embarque tudo muda. Gira 360°.

Eu anseio o novo, curto o cheiro da novidade.

Mas e o medo de partir e não voltar?

E a possibilidade de encontrar meus eixos bem longe de onde parto?

Não sei quando criei asas. Não sei quando partir se tornou parte de mim. Em 10 meses me perdi em cinco Estados diferentes. Serão 7 até o fim do ano. E se antes viajar me preocupava, me arrepiava a espinha, hoje ficar quieta é que me dá nos nervos!

Só sei que adoro partir…

Só sei que adoro partir…