Da criança que se perdeu

Faltam 23 dias

 

Eu queria de volta o frescor da adolescência.

Eu queria de volta a alegria da infância.

Aquele coração acelerado antes da festa de aniversário.

Eu queria que hoje já fosse 21 de outubro.

Não pelas velas. Nem para que o tempo andasse rápido, não.

Pela euforia do novo, do recomeço e a eterna esperança que algo está por vir.

Hoje eu estou dentro da concha. Fechada em mim. E detesto esses dias que nem o sol aparece do lado de fora.

– Porquê que raios me deu de fazer essa devassa na vida e rever tudo que já passou?

– Por que você é dessas, Gracielle! – uma voz grita bem alto aqui dentro

Aí eu volto a pensar naquela moleca sapeca que subia em tudo, conversava com todo mundo e nunca negava uma oferta de colo.

Eu queria voltar aos dias que a minha grande preocupação era não esquecer a mochila rosa na escola, inventar uma desculpa pra cabular a aula de educação física e organizar a caixa de lápis de cor na ordem certa.

Criança é sempre muito despreocupada porque sabe que no fim do bimestre vêm as férias. E que depois das provas vem o sol, dias de piscina e puro ócio.

Criança não pensa no que passou esse ano. Ela vive de expectativas para o fim de semana, para o passeio na casa da avó, dos brigadeiros que esperam na festinha, nas brincadeiras no quintal da Casa de Vó Nazinha.

Criança se assenta na rotina, fica feliz por repetir mil vezes a mesma programação e se sente segura com o mesmo. Eu não.

Esse “todo dia ela faz tudo sempre igual” sempre me matou por dentro. E creio que fico cada vez mais chata e ranzinza com o passar das horas sem novidades.

Queria abrir embrulhos e mais embrulhos hoje.

Eu queria ter sorrido mais no eclipse ontem.

Mas não deu. Dá licença que hoje eu fechei para balanço. E espero que a energia dos exercícios de amanhã mudem um pouco meu humor.

E até nisso eu tenho saudade da menina que fui.

Eu ria de tudo e de todos.

Hoje não. Vai ser difícil arrancar sorrisos.

Porque estou me procurando no baú de coisas tortas e pessoas com fé na vida.

Da criança que se perdeu

Do Luto E das coisa efêmeras da vida

Faltam 26 dias

 

Congela o tempo pr’eu ficar devagarinho

Com as coisas que eu gosto

E que eu sei que são efêmeras

E que passam perecíveis

Que acabam, se despedem,

Mas eu nunca me esqueço.

 

Vou ficar mais um pouquinho

Para ver se eu aprendo alguma coisa

nessa parte do caminho.

 

Efêmera

(Gustavo Ruiz e Tulipa Ruiz)

Todo mundo já passou por um luto. Eu passei por vários. O dia de hoje marca um dos mais fortes na minha vida. Um tio querido, que me ensinou a amar o carnaval, a me fantasiar pra festa, a ter alegria em fevereiro, deixou a gente de forma brusca, inesperada e tão traumática.

A gente aprende desde cedo que o tempo não é infinito. Das lições de amadurecer essa é a mais forte. E quem nunca viveu uma perda na vida? Que atire o primeiro abraço!

Perder é atividade diária. É o cotidiano. É a vida.

A gente perde quando escolhe um rumo. Quando deixa de lado alguma coisa. Ou desfaz do peso de tanta coisa.

Difícil é se despedir de alguém em vida. De projetos tão esperados. De relações que nem aconteceram. O pior luto, para mim, é de pessoas que ainda nem pousaram. E esses estão cada vez mais frequentes.

Em época de amores líquidos, de relações ­pinga-pinga, morre-se a cada laço que mal começa.

E não são só as afetivas. E amorosas.

Há tantas amizades que desfazem por pouco, há tantas pessoas que deixam de viver uma amizade desde a infância por uma simples mudança. Seja de cidade, de estado civil ou por tantos pormenores que me exaurem até de pensar. Já perdi as contas de quantas pessoas deixei pra trás, quantas amizades coloquei no armário.

Há amigos que nunca partem. Que nunca voam tão longe. Só vão dar uma pausa na vida.

E há aqueles que fecham a porta, mas não rompem o afeto.

É um tanto confuso pra explicar, mas acredito que é possível entender bem.

As relações afetivas são um caso à parte. E não há roda de bate-papo, literatura ou qualquer conversa mais sincera em que não se chega ao mesmo ponto: as pessoas não se ligam mais. Ligar, de conexão. De se permitir ver o outro com os seus olhos e conhecer a realidade de quem está ali diante de você. Parece que as pessoas se blindam. E quem tem coração aberto, alma leve coragem de ter fé na vida fica sempre num labirinto sem fim, que acaba logo à primeira entrada à esquerda.

Já cansei de quantas pessoas coloquei na caixa do esquecimento. De tantas relações e contatos que dei por encerrado sem nem saber o que eram.

Tudo é um tanto transitório. E rápido demais, que nem dá tempo de pensar onde vamos chegar. Só encaixotar a memória, etiquetar e deixar em algum lugar bem escondido da alma.

Na minha inocência de menina acreditava que a cada dia a gente ganhava. E não sei onde, quando e nem com quem, a vida começou a ser um arranjo de perdas, uma cadeia de adeus a quem sequer se permitiu entrar aqui.

Eu só sei que ando me despedindo demais de sensações, sentimentos, situações e caminhos que sequer foram traçados. E a cada vela que apaga nesse tempo, é algo que deixa de ser. Que voa para o esquecimento.

Do Luto E das coisa efêmeras da vida

Manias e Esquisitices que eu tenho

Faltam 27 dias

De perto ninguém é normal, isso todos estão cansados de saber. E mais ainda que do caldeirão da normalidade eu não bebi. Diz que quanto mais velho, mais cheio de manias a gente fica. E eu tenho cá umas esquisitices que nunca entendi. Algumas sempre me acompanharam. Outras apareceram no meio do caminho. Surgiram do nada. E algumas já foram embora da minha vida.  Só sei que chego à “meia idade” com uns cacoetes pra lá de esquisitos. Bem vindo ao Esquisito Mundo da Dona Graci. Onde coisas bizarras fazem parte do meu dia a dia. E só são assim consideradas pelos olhos alheios. Há dias tento identificar essas coisas e juro que as vezes demoro para reconhece-las.

  1. A minha boca enche de água quando estouro plástico bolha.
  1. Eu só durmo bem com dois travesseiros: um para uso normal. O outro, em cima da cabeça. Sim, preciso fazer um “sanduíche de mim” pra ter uma noite tranquila de sono.
  1. E para dormir de vez, tem que ter alguma “coberta”. O ano inteiro tem uma colcha ou edredom na roupa de cama. Nem que seja pra ela cobrir só barriga, fazendo peso em cima de mim.
  1. Não consigo beber nada durante as refeições. Só o faço em último caso: se for pra aliviar a pimenta.
  1. Toda vez que como algo quente (sopas, caldos ou bebidas quentes) dá vontade de beber algo gelado
  1. Só como o feijão em cima do arroz. Detesto quando ele molha o resto da comida. Feijão no alface, então…
  1. O sorvete é um caso á parte: tem que comer e ficar bem retinho. Como o máximo pra ficar quase nada dentro da casquinha, que fica por último sempre. E ela eu como sozinha. E tem que estar crocante.
  1. Sou uma artista pra comer Bis, Bombons recheados e batom (e genéricos): cada um eu gosto de tirar a embalagem de jeito diferente. E como mais que do que quero porque tem uma técnica especial também pra comer. Tento abrir sem desfazer a embalagem. Depois, rasgo como se fosse descascar uma laranja. Na próxima é cortar na metade. As vezes como em camada: wafer, tampa e recheio. Só vendo pra entender. Ah, dobro as embalagens também de forma diferente. E me dá mais prazer esse ritual que comer a caixa toda (#prontofalei)
  1. Não consigo comer uma barra de chocolate por parte: dá um “trem” no estômago se não ficar reto. Ou seja: como linha por linha. (seria uma desculpa pra não comer só um pedaço?)
  1. Guardo todos os comprovantes de compras de débito e crédito. Principalmente em viagens. E adoro pegar vias antigas e lembrar por onde passei, o que comprei e do que comi há anos, meses ou em férias mais que antigas.
  1. Não vejo quebra-molas. E fecho os olhos todas as vezes que voo sobre um.
  1. Não posso ver placas de carro com números repetidos: faço um pedido toda vez que vejo uma placa 55. E faço disso quase um oráculo; se vejo uma 66 fico feliz, porque o pedido vai se realizar. E viro a cara quando encontro uma com 22. Mas já descobri que não sou a única doida da turma que faz isso.
  1. Tirar casquinhas dos lábios: adoro quando ela sai inteira na mão. E faço isso diariamente.
  1. Banho tem uma sequência lógica, senão me perco. Juro: se eu não seguir a ordem de limpeza, sou capaz de sair do chuveiro com a dúvida se lavei meu corpo inteiro. O mesmo vale para escovar os dentes.
  1. Não guardo roupa que acabei de tirar do corpo – cismo que tem energia demais para passar para as outras peças.
  1. A minha relação de afeto com vestidos e sapatos depende da primeira vez que uso: se a festa foi boa, vou usar aquela peça até ela andar sozinha. Se foi um desastre, tento dar uma segunda chance. Juro, já doei roupa usada duas vezes só por isso.
  1. Toda vez que pego estrada ou dirijo a um lugar que não conheço, rezo uma ladainha que inventei. Metade uma reza doida e a outra é a oração de São Jorge. Nunca me falhou!
  1. Toda vez que viajo, marco o lugar num mapa. E nunca descobri porque faço isso. E nem quando fiz a 1ª vez.
  1. Aprendi com meu pai setorizar a comida na geladeira. Cada bandeja, um tipo de refeição ou alimento.
  1. Se a vaga é à esquerda, paro de frente. Se fica à direita, paro de ré. Só descobri isso há duas semanas
  1. Só viajo com um tercinho na bagagem de mão. E ele me acompanha aonde for nos destinos.
  1. Detesto cerveja com colarinho fino. Acho que o sabor muda se não tiver espuma.
  1. Não consigo programar alarme para hora cheia (12h00, 12h30, 12h35). Ele desperta sempre em horários estranhos. E o intervalo entre um e outro também. Atualmente ele toca ás 06h11 e repete a cada 8 minutos.
  1. Toda vez que conheço alguém, repito o nome 4 vezes na minha cabeça pra não falar errado e nem em esquecer
  1. Detesto parar na mesma vaga mais que duas vezes seguidas.
  1. Não faço o mesmo caminho mais que quatro vezes na semana
  1. Não consigo usar a mesma cor do esmalte nas mãos e pés
  1. Sempre deixo um resto no copo que estou bebendo. E em cantos improváveis da casa
  1. Não consigo explicar minha lógica para organizar CDs, DVDs e livros. E eles têm um padrão de (des)organização
  2. Adoro criar pastas e subpastas de arquivos no computador
  1. Adoro matar baratas, pisar em besouros e folhas secas. Tudo que seja “crocante” ao pisar.
  1. Comer coisas crocantes também dão o mesmo prazer. Adoro ouvir o barulho da comida. E se alguém tiver comendo algo que faça “croc”, vou querer também. Só para sentir o “trem” quebrando entre meus dentes
  1. Fazer listas. Tenho manias de listas (malucas ou não) e prazer em cortar ou colocar “check” em cada item delas
  1. Toda vez que entre em um lugar pela primeira vez, vou com o pé direito
  1. Não consigo pisar em linhas no chão ou divisões de pedras e pisos
Manias e Esquisitices que eu tenho

Por que escrevo

(Faltam 28 dias)

 

Por que escrevo

Ou Das ideias sem sentido

Ou escrevo e pronto. Ponto final

 

Há anos eu vivo com esse impulso em mim. É como se as ideias só existissem se fossem parar no papel. Eu escrevo porque senão tudo gritaria aqui dentro. Haveria um estardalhaço e a alma nunca ficaria quieta. Eu escrevo porque não consigo fazer rima. Não sei fazer poesia. Só sei colocar as letras uma atrás da outra. Ou seria uma do lado de cada?

Preciso ordenar as histórias. Colocar os sentimentos em algo que só eu entenderia. E fingir que você consegue me ler também. Porque o que passa na minha cabeça é mistério meu. É segredo que só eu sei. É código que só a minha alma decifra. Por mais que revele minhas loucuras, elas nunca serão totalmente desnudadas.

Escrever é viver uma turbulência em um mundo que vive calmo.

É gritar só

em lugar mudo.

É pedir socorro com um sorriso.

É sorrir com a alma e ninguém entender.

É estar só. Escrever é um ato de estar só. É a solidão nas ideias.

Cada um é poeta das suas palavras. Cada um é inquisidor das suas ideias. É refém dos seus pensamentos e dos seus quereres. Escrevo porque em mim habitam tantas coisas, tantos gritos, tanto desejo, que às vezes não cabem dentro de mim.

Geralmente eu não caibo em mim.

Eu preciso escrever pra aliviar minhas ideias. Relevar meus pensamentos e tirar esse peso da alma. Ah, se soubesse a gritaria que remove aqui dentro, teria evitado as primeiras palavras. Eu sou uma avalanche de coisas, de pensamentos. Quem acha que falo muito, não sabe o tanto que me calo. A minha alma fala demais. Minha cabeça pensa demais. É coisa demais. É um tsunami vivendo dentro de tão pouca carne. É um enxame de pensamentos zunindo o dia todo. Tem hora que me esgoto, tem hora que só me contemplo. E quase sempre me surpreendo. Eu escrevo sem pretensão. Sem organização. Sem ideia do que há de sair por aqui. E assim eu me conheço. Nem sempre em reconheço. Mas sempre me entendo. Assumo que quase sempre é difícil me ler. Mais ainda me compreender. Mas escrevo porque gosto. Porque preciso. Porque é urgente. Há vezes em que falo sozinha pra ver se as ideias fluem, o pensamento muda e se o foco vai pra esquerda. E peço perdão pela minha verborragia, caro leitor. Se eu mesma não sou senhora de mim, porque seria das minhas ideias? Perdão caro leitor, pois te confundo.

É preciso escrever. É urgente. E necessário.

Ponto final. E pronto.

Por que escrevo

Coisas que tenho que lidar aos 35 anos

Faltam 29 dias

E tem tanta coisa que eu tenho que lidar nessa idade…

  1. Contar a data de nascimento e as pessoas dizerem (sempre!): Ah, não parece!!!

E sempre responder com um sorriso constrangido (às vezes meio sorriso), como se fosse um elogio. E ainda achar que pode não ser. A data de nascimento é 21/10/1980. E ainda lidar com outra pergunta: 1980 e… ?

  1. A pergunta fatal: senhora, madame ou senhorita?

Juro, essa é a pior de todas! Dá vontade de andar com a placa: me chame de “VOCÊ”!

  1. Todas as crianças e adolescentes do universo (TODOS MESMO!) te chamarão de tia, em QUALQUER ocasião ou local.

Você se sente (e entende) o Tia Sukita da propaganda e pergunta a si mesma: quando foi que isso mudou?

  1. Ter sempre alguém pra te perguntar: – Cadê seu marido?

Essa geralmente vem depois da primeira da lista. E as que se sucedem são tão desconfortáveis como essa.

  1. Depois da pergunta anterior as pessoas insistem (SEMPRE) na questão: – Não tem filhos? Por quê?

Alguém pode me explicar onde Deus escreveu a regra de que mulher com mais de 30 vem acompanhada de marido e filhos? E qual a punição, pra que eu já aguarde o julgamento final?

  1. Os vizinhos acharem que sou casada com meu pai!

Sim, isso aconteceu há uns 15 dias. As meninas do salão do meu prédio caíram na risada depois de 15 segundos de silêncio e uma eterna entreolhada quando disse que moro com meu pai. Elas não conseguiam entender como uma menina jovem vivia e tinha tanto carinho com um senhor de cabelos brancos. Eu ri duas vezes mais que elas quando fiquei sabendo.

  1. Falar palavrão quando quiser. E lidar com a cara das pessoas em volta.

(alguém me manda o caderno de etiquetas da idade que se enquadra a certa para palavras?)

Não adiantou passar pimenta na minha língua, nem ficar de castigo. Falo palavrões mesmo. É inevitável, cara! Ouço que isso não é coisa que se faça na minha idade – o que geralmente vai vir de mulheres mais velhas – ou acham que eu só uma tia doidona que não tem papas na língua – que claramente vai vir de algum ser mais jovem que eu.

  1. Descobrir que os 35 anos são a entrada para a meia idade e que uma pesquisa maluca aponta essa como a idade mais feliz!

Juro que nem precisava dessa informação ou pesquisa pra ter certeza disso!

  1. Saber a diferença entre light, zero, diet, fit, orgânico, trans e integral

Ler rótulos, contar calorias, quantidade de sódio, de gorduras, saber de cor as pegadinhas da indústria alimentar e fazer disso um pesadelo em vida faz parte da minha rotina. E obrigar toda a família e as amigas a ser assim também.

  1. Nunca mais comer lanches da madrugada sem culpa

Aí eu descobri que virei a chata de galochas da comida.

  1. Assumir que beber muita água faz milagres salva toda a sua cadeia metabólica 
  1. Acreditar nas fórmulas da eterna juventude

Sim, eu acredito em várias dicas que as mulheres repassam e testo quase todas. Rio quando as absurdas não funcionam e fico assustada quando uma dá certo. Quem nunca?

  1. Salão de beleza

Sim, me rendi aos salões: virei mulherzinha. Admito, confesso a minha culpa e vaidade. Mas nas semanas que não posso ir, não sofro pela falta de cuidado.

  1. A maldição da depilação não usada

É só depilar pra passar a vida no zero a zero. E o contrário também. Boas entendedoras entenderão.

  1. Ainda cair dos saltos. E os sapatos ainda doerem os pés!

Não me venha com essa de que uma mulher fica mais elegante de saltos. O dia que me virem andando com um agulha, com mais de 10 cm, vão entender como sou nada sexy com uma plataforma. Desisti: eu simplesmente não nasci pra usar salto alto. Ainda prefiro as sapatilhas, alpargatas e tênis. E o inverno é só com botas.

  1. As pessoas não entenderem que gosto de saias e vestidos

Essa me acontece há anos! Primeiro foi uma amiga dizer que não tenho idade pra usar saia com mais de 4 dedos acima do joelho (hein???). A segunda é uma senhora ter me dito que não me dou o respeito por usar um vestido curto (Cuma???) e a última foi dizerem que não me devem levar a sério porque uma mulher da minha idade não deveria usar shorts, saias e nem vestidos tão curtos assim (detalhe: a roupa estava a três dedos acima dos joelhos!). Ah tá: não posso usar as roupas que eu gosto, enquanto tenho pernas boas pra usar. Mas tenho que lidar com esse machismo e sexismo barato? Máh Vá!!!!!!

  1. A idade é inversamente proporcional à quantidade de maquiagem que uso

Hoje usamos a maquiagem à nosso favor. Nós guerreiras, que aprendemos exagerando no pó, no kajal (isso entrega qualquer idade), erramos a mão no blush, tentamos copiar as meninas da TV das revistas (salve revistas Capricho! e Querida), custamos a acertar a mão no delineador. E mesmo assim as “novinhas”, com tanto tutorial aí, conseguem parecer que tem a nossa idade! Meninas, aprendam: usem a maquiagem a seu  favor!

  1. Ter 20 minutos para se arrumar

E conseguir sair diva: pra balada, pro almoço ou pro piquenique no parque!

  1. Ser mais cantada por mulheres que homens

Não sei por que isso acontece comigo não, mas faço muito sucesso com as moças. E fico lisonjeada com as cantadas e olhares. É aquela história: já que os rapazes não se expressam tanto, pelo menos tem quem demonstre.

  1. Homens podem ser amigos das mulheres. Mas eles sofrem com as nossas frescuras!

Hoje sim, podemos ter uma amizade em pé de igualdade: a gente dá conselhos e morre de pedir ajuda. E tem que aprender que meninos agem bem diferente da gente.

  1. Amizade Colorida / Belisco

Eles fazem parte da minha vida. Do meu cotidiano. Das mensagens arquivadas. E da agenda de contatos. Às vezes eles somem. E tem vez que aparecem de uma vez só. Quem tem mais de 30, livre da vida, sabe bem como é…  Salvo em caso de relacionamento sério, temporário ou “tico-tico no fubá” – quando eles ficam automaticamente excluídos da vida. Até que….

  1. Homens bacanas existem em todas as idades

Aprendi que os homens com mais de 35 podem valer por dois de 20. Um de 20 pode ser muito mais que os de 30. E os de 30 podem valer muito. Mas não posso versar sobre os que têm mais de 40….
Ou seja: o que faz um homem valer é o que ele tem pra oferecer. Não a idade! (Fica a dica)

  1. Foi a primeira vez que me aconteceu… (tsc, tsc…)

Não, não foi a primeira vez que te aconteceu, bofe. E nem será a última. Eu simplesmente sei…
Já sei de cor e salteado as desculpas, entrelinhas e as sumidas dos homens nas redes sociais e na vida fora delas. Nessa idade sei bem quando é pretexto, que o problema não é com você e que você não está confuso. Simplesmente não quer. Os homens podem parar de agir assim, pois somos vacinadas e já temos sapiência para entender esse roteiro: nessa idade o melhor é ser sincero, ok, honey? 

  1. Homens depilados

Os tempos mudam e hoje os homens andam se depilando como mulher, fazem a sobrancelha, as unhas, pintam e alisam cabelo, etc e tal. Tem uma bancada com mais cremes, loções e poções mágicas que eu. E estão aprendendo a nos respeitar pelas dores que enfrentamos com a cera e tantas outras coisas. Só não exagerem, por favor! Senão começo a ficar perdida e me acho mais ogra que muitos de vocês, tá? 

  1. Pedir um café sob o olhar de tristeza do garçom pensando que levei um bolo

Isso serve para quando me sento sozinha no restaurante, quando vou só ao cinema, quando vou sem companhia em algum evento ou aniversário de algum conhecido. Gente do céu, pare de olhar as mulheres com complacência quando saímos só!!!!! Não, não levamos um bolo! Só estamos exercendo o direito de sair com a nossa companhia. E se estamos no celular é pra compartilhar a foto da comida ou avisar às amigas que vamos ficar offline. Não dói sair só. Não é solitário sair só. Você por acaso usa o banheiro somente na companhia do companheiro e da família? É mais ou menos isso quando a gente vai ao shopping também. E parem de perguntar cadê o marido, filhos, a família ou qualquer outra pessoa! Entenda: mulheres saem tão só quanto homens fazem compras sozinhos! (Quer que desenhe?)

  1. Brigar eternamente com qualquer aplicativo de localização, rotas ou com mapas de verdade

Desisto de mapas: sou “deslocalizada” e sem rumo mesmo! Esses guias só me fazem dar volta 5 vezes em um lugar pra repetir: recalculando rota! Não nasci pra seguir mapas: o mais confiável é pedir informações. Nem que seja a cada esquina. Esses dias me convidaram pra ir ao cinema em um shopping e eu fui parar em outro. Só descobri depois que a moça do cinema confirmou que o filme não passava naquela sala, mas nas salas do shopping 3 km antes. Por favor, envie a localização pra mim junto com qualquer convite. Obrigada, de nada!

  1. Pagar a conta. Dividir a conta. Ou pagarem toda a conta

Nada dá mais sensação de liberdade que você pagar uma conta. Dividir é quase uma regra, quase o trivial. E nada mais surpreendente do que oferecerem para pagar a sua. Seja um homem, seja uma amiga. 

  1. – Panela Velha é que faz comida boa!?

Hein? O homem já foi à Lua, as mulheres já presidem países, já concebem crianças em laboratório, meninos de 5 anos sabem usar um smartphone e eu ainda tenho que aguentar alguém falando isso? Socorro, né?????

  1. Ultrassom interno. Mamografia. Coletor menstrual

Todo ano é assim: check-up completo da sua pepeca (tentei ser educada porque minha mãe com certeza está lendo isso. E meu pai também, se ele passou ileso pelos itens 22 e 24, sem pular!) e feminilidades. É necessário, mas quem disser que gosta, leva uma voadora mental minha! É chato, incômodo e ainda bem que só é preciso uma vez por ano. Senão chorava até hoje querendo ser menino! Não é modinha, querer ser hispter ou algo do tipo: toda mulher se torna especialista em absorventes e já testou e usou TODAS as opções em um supermercado. E acaba arriscando no coletor. Usei uma vez e recomendo. E continuo achando que ser homem é menos complicado (#prontofalei)

  1. A lei da gravidade

Essa chega pra todo mundo. E é implacável. Cada 5 horas de academia parecem corrigir apenas o efeito de 1hora de férias na praia com open bar. Passei 20 anos me dedicando à arte da conversa afiada já que a luta contra a balança é um caso perdido. E bem perdido! E haja capsulas de colágeno, termogênico, shake redutor, suco detox, fórmula seca barriga e sessões de crossfit, personal e de drenagem para combater o efeito de um fim de semana sem freio. É, alguma hora as coisas caem. Ainda bem que meu humor não cai junto! 

  1. Não ser chefe e ainda ser feliz no trabalho

Não coordeno uma equipe, não sou gestora de pessoas e nem de projeto. E estou muito feliz assim. E mais ainda de saber que quem comenda a equipe é outra mulher. 

  1. Fiquei pra Titia mesmo. E daí?

Fiquei pra Titia mesmo e isso não dói! O que dói é a brincadeira com a simples função de cutucar, é o olhar de superioridade de quem acha que só vou ser feliz se for casada que nem aquela amiga, que a vida só teria sentido se eu tivesse dois filhos. Fia, ainda dá tempo de eu fazer isso tudo. E se não aconteceu, não vou viver lamentando em cada esquina e festa de família ou chá de bebê. Ainda bem que tem gente bondosa nesse mundo que leva os filhos pra eu ver, me deixa rolar na grama com os filhos e me põe na piscina pra brincar com o filho.

  1. A cara das pessoas quando uso o dinheiro da poupança pra viajar no lugar de investir em imóvel próprio

Imagine a cara que as pessoas faziam quando – à época da vovó – uma mulher dizia que era desquitada. Aposto que os olhares dos outros aniquilavam tanto quanto os que recebo quando digo que economizo pra viajar e não pra comprar um apê. Parece que é crime, uma mulher na minha idade “se dar o desfrute” de morar de aluguel, dividir casa com o pai e ainda se colocar no mundo no lugar de se assentar na vida. Dá licença, mas eu prefiro gastar meus pequenos tostões pra conhecer os lugares que tenho vontade a viver eternamente contando moedas só para me trancar em “apertamento” qualquer. Um dia eu chego lá!

  1. 50 tons de cinza: a luta eterna entre a expectativa e a realidade!

Toda e qualquer mulher da minha idade sabe bem que aquela série só existe na ficção, né? Que é só historinha, que a realidade é mais para três tons de qualquer cor, né???

  1. A regra do 1 por 2:

Pra cada noite virada, uma mega ressaca e dois dias pra se recuperar! É ter 35 anos te faz entender que você não dá conta do mesmo ritmo da faculdade. E que os fins de semana podem ser um sem-fim de eventos!

Coisas que tenho que lidar aos 35 anos

Do meu CEP

Faltam 32 dias 

Hoje pediram meu CEP.  Por um segundo parei.

Por outro segundo fui direta e taquei o de Brasília.

Um calafrio cruzou toda a minha espinha. Um frio deu volta na minha barriga.

É que pela primeira vez eu tenho onde pousar. Eu tenho ninho. Tenho coração plantado, trincado e enterrado em um pedaço (grande) de chão.

É que a vida inteira me senti um passarinho. Olhava pela janela e via o mundo lá fora e sentia que a minha casa era além do portão baixinho de casa. Portão de madeira marrom, que me batia na cintura. Portão que eu pulava quando menina. O muro era do mesmo tamanho.

Eu olhava pelos janelões de ferro e sempre pensava que um dia ia voar: ia passar por aquele portão e voltava “nunquinha”. Sempre senti que a vida era lá fora. Além da Serra. Pra lá dos vales de Minas. Pra lá da estrada. Bem depois da BR-040.  Sentia que a minha alma pertencia a lugar nenhum. E que pra saber onde iria era preciso arrumar mala, colocar a mochila nas costas e partir.

Por muito tempo achei que vivia presa entre a Serra e o céu de Ouro Branco.  Que a avenida Mariza era muito curta para minhas vontades. E muito pequena para o meu trocar de pernas. Por um tempo o coração se acalmou e aquietou pensando num futuro entre as ladeiras e curvas da cidade.

Eu parti.

Voltei.

Pousei.

E um dia saí de casa.

Fui à esquina. No estilo “pertim” de mineiro. E sem esperar voei pro Planalto Central. Vim viver meu Faroeste Caboclo. Me meti entre quadras, setores e as asas. E foi bem no meio dessas asas que me achei.

E hoje minha alma tem CEP.

Meu coração tem um endereço certo. São letras e números. Num (in)certo andar.

Ainda não pousei de vez. Mas é muito bom saber onde minhas asas querem descansar…

Do meu CEP

35 conselhos que eu me daria quando menina

Faltam 33 dias

‘Se fosse mandar mensagem para a Betty de 20 anos, falaria: ‘Faz tudo do mesmo jeito, porque deu tudo certo’ (Betty Lago)

Quantas vezes quis voltar no tempo e conversar comigo mesma, fazer tudo de outro jeito. Refazer tantas coisas. Eis aqui os conselhos que eu daria pra mim mesma. Seja há 20 anos, 10 anos ou 30. Eu voltaria no tempo e conversaria comigo assim mesmo: com franqueza e muito bom humor!

  1. Seja você. Sempre.

Não é preciso se encaixar  em modelos, em fórmulas e nem usar as mesmas roupas que as meninas da sua escola para ser aceita. Se elas não gostam da forma como você se veste ou se porta, troque de amigas! Muitas delas mudarão também quando descobrirem isso.

  1. Não tenha vergonha das suas escolhas e gostos

Não tenha vergonha de cortar o cabelo daquele jeito esquisito, de usar aquela roupa que te agrada e muito menos das bandas que você curte. Gostar de meninos esquisitos também não é pecado. E muitos deles serão caras mais bacanas que esses playboys preconceituosos e pedantes da educação física.

  1. Continue lendo. Leia cada vez mais

É nos livros que você vai formar todo seu repertório de vida. Neles e nos jornais. É escondida entre as estantes da biblioteca que você se sentirá em casa. Não relute em ficar até mais tarde acordada para terminar aquele livro que você devorou em dois dias. Você vai continuar fazendo isso quando crescer. Ah, e seus pais sabem que você não está mal quando quer deitar mais cedo ou finge que vai dormir e acende o abajur. Faça isso sem culpa: eles terão orgulho de você ler tanto.

  1. Pessoas estranhas são legais e farão parte da sua vida

E grande parte da sua turma de amigos será de gente estranha, doida mas elegante e sincera!

  1. Você será uma menina diferente

Não tenha medo de ser diferente: isso te fará única, Atípica (como bem te descrevem as amigas).

  1. Não tenha medo dos apelidos e nem de ser taxada de doida. Essas pessoas querem a sua coragem

Você sempre será chamada de diferente, esquisita, louca e até de maluca. O mais importante é não ligar pra isso. As pessoas que te dirão isso são as mesmas que morrem de vontade de fazer tudo que você faz com uma certa espontaneidade, mas elas nunca farão.

  1. Você vai gostar de festa estranha com gente esquisita

Aproveite bastante as festas de 15 anos das colegas de escola, as Festas da Batata e saiba que você vai frequentar lugares muito mais bacanas. Essas músicas chatas e repetitivas não terão mais lugar na sua vida. E seus ouvidos e cérebro agradecerão. Essa experiência vale pelas histórias e as companhias, mas haverão outras memórias ao som de música melhor!

  1. Educação Física será eternamente a disciplina mais difícil e chata. Mas você vai amar fazer exercícios

Existem esportes que não te limitarão do time por causa do tamanho e da falta de habilidades (sim, você sempre será um fiasco como atleta, menina!). Mas você vai descobrir que andar na mata, fazer trilha, rapel, nadar e andar de bicicleta são extramente prazerosas. Ah, você vai se acabar gostando da academia, tá fia?

  1. Cuide da sua saúde e da alimentação

Desista das besteiras, reduza o açúcar e invista nas saladas. Um dia você vai ter que abrir mão da coxinha, do biscoito recheado e nunca mais comerá bife e batata frita todo dia. E isso fará falta nenhuma! Você vai descobrir que há mais vida em um prato orgânico e natural. Seu corpo vai agradecer, a balança vai ficar leve e sua pele vai ser linda. E vai fazer todo mundo da sua casa comer arroz integral e coisas light. Bem, quase todo mundo….
Deixe a preguiça de lado e

  1. Xô, preguiça!

Deixe a preguiça de lado e movimente-se mais. Faça exercícios, pelo amor de Deus! Senão você morrer de vergonha na aula de alongamento e perder no teste de flexibilidade para senhoras de 70 anos! Ah, você não encostar no dedão do pé com a mão!

  1. Você vai ser ansiosa e hiperativa como seu pai

 

  1. Você vai continuar falando muito. E as ideias na sua cabeça continuarão fervilhando.

Você só vai aprender a controlar isso.

  1. Você vai continuar falando sozinha
  2. Vai continuar notívaga como sua mãe
  3. Vai dormir menos
  4. Sentirá saudades dessa época
  5. A vida muda o tempo todo

Aprenda que TUDO na sua vida vai mudar. E vai mudar sempre. Assim como o corte do seu cabelo. Da cidade até o seu estilo de vida. E os seus planos não serão definitivos.

  1. Você vai mudar mais ainda de cortes de cabelo

Você terá cabelos de todos os jeitos. E cores também.  Sim, você terá mais de 20 cores nas madeixas. E outras tantas formas de usar os cachos. Sim, você vai usar seu cabelo curto e com cachos aos 35 anos. E as pessoas vão achar o máximo e estiloso esse trem aí que te dá uma dor de cabeça todo dia de manhã!

  1. Você não vai crescer nem por milagre

Você não vai ganhar 10cm com formulas mágicas e nem com muito exercício

  1. Namore o mais tarde que puder

Esse capítulo da sua história vai ser mais trabalhoso que novela! Aproveite a vida para conhecer suas amigas, conhecer lugares novos, abrir novos laços. Namorar vai te dar tanto trabalho e tanta dor de cabeça que é melhor deixar pra lá. Você vai se meter em ciladas, mas nada que te faça desistir do amor.

  1. Sim, você vai continuar acreditando no amor!

Isso não tem jeito. E ponto. O que vai mudar na sua cabeça é só a forma como você vai enxergar as relações. Deixe de lado essas fórmulas românticas e viva cada relação sem que haja rótulos. Príncipe encantado nunca existiu!

  1. Continue acreditando nas pessoas. Só não dê tanto crédito a algumas que vão cruzar o caminho

Encaminho a lista em anexo. Guarde com muito cuidado e siga as instruções, por mais que alguns tentem te convencer que não são como as descrevo. Acredite, algumas não mudam.

  1. Você terá dores de cotovelo homéricas e decepções. Mas o tempo vai fazer isso passar.
  2. Você encontrará pessoas especiais. E o destino colocará amigos maravilhosos na sua vida

Nesses momentos de crise e de mudanças, você vai confirmar que existe gentileza e que a humanidade tem jeito! Em cada problema, obstáculo e nas grandes dores de cotovelo você vai conhecer gente que tira força e energia sabe-se lá de onde para estender sua mão e doar um pouco dos seus corações. Você nunca vai se sentir sozinha porque tem amigos.

  1. Você terá amigos de infância, de faculdade, de trabalho, de viagem, de fim de semana e até amigos virtuais.

Alguns ficarão pouco na sua vida, outros você terá menos contato. Você vai criar laços eternos com que passou apenas um fim de semana e completos desconhecidos serão como irmãos de uma vida toda. Não importa: ame cada um desses que estarão do seu lado. O fato de estar em estados ou rumos diferentes de vida não vai apagar o afeto que você tem por eles

  1. Seus pais serão seus melhores conselheiros e vão te entender antes mesmo de você
  2. A sua irmã vai ser mais que irmã; ela vai ser sua irmã mais velha e ás vezes até mais conselheira que a sua mãe!
  3. Seus primos te darão tantos sobrinhos. E você vai chorar a cada parto ou quando souber que vem bebê por aí
  4. Suas amigas casarão antes de você, terão filhos antes de você e não terão coragem de te colocar de madrinha. Mas vão adorar deixar você tomar conta das crianças
  5. Você viverá grandes amores e vai partir corações
  6. Você vai viver além dos limites de Ouro Branco
  7. Vai sentir uma vontade eterna de escrever
  8. Vai chegar aos 35 com cara de 30, mas com alma de 10 anos
  9. Você vai ler essa carta, vai guardar, mas vai acabar seguindo seu coração em todas as escolhas da vida
  10. Vai aprender que no fim tudo dá certo
35 conselhos que eu me daria quando menina